Qualquer pessoa que já tenha feito uma armadilha para
animais sabe que precisa de uma ou duas coisas para obter
sucesso: ela deve estar bem escondida, na esperança de que
o animal tropeçará nela, e deve haver uma isca para atrair o
animal para dentro dessa armadilha mortal.
O inimigo de nossa alma, incorpora essas duas
estratégias para montar suas mais mortais e enganadoras
armadilhas. Elas estão sempre bem escondidas e com iscas.
Satanás, juntamente com seus comparsas, não é tão
espalhafatoso como cremos. É sutil e seu maior deleite está
no engano. É astuto e ardiloso quando opera. Nunca se
esqueça de que ele pode disfarçar-se como mensageiro de luz.
Se não formos treinados pela Palavra de Deus para separar
corretamente o que é bom do que é mau, não
reconheceremos suas armadilhas como realmente são.
Uma de suas iscas mais enganosas e traiçoeiras é algo
com que todo crente se depara: a ofensa. Na realidade, a
ofensa não é mortal: ela ficar na armadilha. Mas, se a
pegarmos, a consumirmos e alimentamos nossos corações
com ela, ficaremos escandalizados. Pessoas escandalizadas
produzem frutos como dor, raiva, ciúme, ressentimento,
amargura, ódio e inveja. Algumas das conseqüências de
permitirmos ser escandalizados são insultos, ataques,
divisão, separação, relacionamentos quebrados, traição e
tropeço.
Muito freqüentemente, aqueles que são escandalizados
não percebem que caíram na armadilha. Não estão cientes de
sua condição, por se concentrarem no mal que lhes fizeram.
Estão negando sua situação. O modo mais eficaz que o
inimigo usa para nos cegar é fazendo com que nos
concentremos em nós mesmos.
A primeira instrução de Jesus para nos livrar do engano
é comprando ouro refinado pelo fogo (Ap 3:18). Deus refina com aflição, tribulação e provação e separa
as impurezas com falta de perdão, amargura, ódio e inveja e
imprime o seu caráter em nós.
O pecado facilmente se esconde onde não há o calor das
provações e aflições. Em épocas de prosperidade e sucesso,
até mesmo o ímpio parece generoso e gentil. Sob o calor das
provações, as impurezas vêem a tona.
Construímos muros, quando somos feridos, para
salvaguardar nosso coração e prevenir futuras feridas.
Tornamo-nos seletivos, barrando a entrada de todos os que
nos feriram. Selecionamos todos os que nos devem algo.
Negamos-lhes o acesso até que nos paguem tudo o que
devem. Abrimos nossa vida só àqueles que acreditamos
estarem do nosso lado.
Freqüentemente, essas pessoas que estão "do nosso
lado" estão ofendidas também. Dessa forma, em vez de
ajudar, colocamos pedras adicionais em nossos muros. Sem
sabermos exatamente como aconteceu, esses muros se
tornam prisões. A essa altura, não apenas tomamos
precaução em relação àqueles que entram, mas também,
aterrorizados, não nos aventuramos a sair da fortaleza.
O crente ofendido se concentra no seu próprio interior e
se torna introspectivo. Guardamos nossos direitos e
relacionamentos pessoais cuidadosamente. Nossa energia é
consumida enquanto cuidamos de que nenhuma outra ferida
futura ocorra. Se não nos arriscamos ser machucados, não
podemos também dar amor incondicional. O amor
incondicional dá aos outros o direito de nos machucar.
O amor não procura seu próprio interesse, mas as
pessoas machucadas se tornam mais e mais introspectivas e
retraídas. Nesse ambiente, o amor de Deus se torna frio.
Quando filtramos tudo através de feridas passadas,
rejeições e experiências ruins, achamos muito difícil acreditar
em Deus. Não consegue, acreditar que Ele realmente tenha a
intenção de fazer o que disse. Duvidamos de sua bondade e
fidelidade, uma vez que o julgamos pelos padrões dos
homens em nossa vida. Mas Deus não é um homem! Ele não
mente (Nm 23:19). Seus caminhos não são os nossos
caminhos, e s pensamentos não são nossos pensamentos (Is
55:8, 9).
Pessoas ofendidas serão capazes de achar trechos
bíblicos que apóiem sua posição, mas sem usarem
corretamente a Palavra de Deus. O conhecimento da Palavra
sem amor é uma força destrutiva porque nos incha de
orgulho e legalismo (1 Co 8:193). Isso faz com que nos
justifiquemos em vez de nos arrependermos, porque não
somos capazes de perdoar.
Devemos confiar em Deus e não na carne. Muitos
prestam culto a Deus,
como sua fonte, mas vivem como
órfãos. Vivem a vida como bem entendem e confessam com a
boca: "Ele é meu Senhor e Deus”.
A essa altura você já percebeu como o pecado ofensa é
sério. Se não for tratada, a ofensa, eventualmente, levará a
morte. Mas, quando você resiste à tentação de ser ofendido,
Deus lhe dá grande vitória
Muitos servem a Deus de todo o coração e passam por
situações muito difíceis por terem sido maltratados. A verdade é que foram tratados
injustamente. Mas ficar ofendido apenas cumpre o propósito
do inimigo de tirá-lo da vontade de Deus.
Se você ficar livre da ofensa, permanecerá na vontade de
Deus. Se você continuar ofendido, será levado ao cativeiro
pelo inimigo a fim de cumprir seu próprio propósito e sua
vontade. Faça sua escolha. É muito mais proveitoso ficar
livre da ofensa.
Devemos lembrar-nos de que nada pode vir contra nós
sem o conhecimento prévio de Deus. Se o diabo pudesse
destruir-nos a qualquer momento, já nos teria aniquilado há
muito tempo, porque ele, com toda a sua força, odeia o
homem. Lembre-se sempre desta exortação:
Não vos sobreveio tentação que não fosse humana;
mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados
além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com
a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a
possais suportar (1 C'o 10:13).
Note que o versículo diz que Deus "proverá livramento",
e não “proverá um livramento qualquer". Deus conhece todo
tipo de circunstância adversa que encontraremos - não
importa se grande ou pequena - e planejou o livramento para
escaparmos. E, o que é mais interessante: quando parece que
um plano de Deus foi abortado, na realidade esse vem a ser o
caminho para se cumprir aquele plano, se estivermos em
obediência e livre da ofensa.

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